sábado, 10 de dezembro de 2011

Historia da fabrica da Vespa


HISTÓRIA DA FÁBRICA VESPA

Quando a Segunda Guerra Mundial acabou, Enrico Piaggio presidia a empresa de fornecimento de pecas para o setor aeronáutico fundada por seu pai. Era tempo de Europa destruída física e financeiramente. A fábrica da Piaggio encontrava-se em ruínas, mas isso não intimidou Enrico, que resolveu partir em busca de um novo tipo de veículo, capaz de suprir a necessidade de locomoção básica da população. Deveria ser barato, funcional, econômico, robusto e, claro, charmoso e elegante. Além disso, deveria também ser fácil de pilotar por mulheres, não sujar as roupas do condutor e ainda levar um passageiro. Foi batizado com o nome de um inseto, em alusão ao ronco de seu motor dois-tempos com ventoinha de arrefecimento: Vespa

Na fábrica semi-destruída encontravam-se centenas de rodas de trem de pouso de bombardeiros (da bequilha, na extremidade traseira) e grande número de pequenos motores multiuso para lançamento destes aviões.

Baseando-se no scooter (literalmente patinetes infantis) norte-americano Cushmann modelo 53 que foi jogado de pára-quedas na Europa durante a ocupação aliada, Enrico encomendou aos engenheiros Spolti e Casini um primeiro projeto denominado MP5, mais tarde rebatizado de Paperino (Pato Donald em italiano), lançado em 1945. O Paperino teve produzidas menos de 100 unidades e utilizava um motor de 2 tempos Sachs alemão de 98 cc colocado entre as pernas do piloto, com transmissão por corrente e 2 marchas.

Porém o Paperino não satisfez às expectativas de Enrico Piaggio e este encomendou a Corradino D'Ascanio (1891-1981), brilhante engenheiro aeronáutico que estava na Piaggio desde 1934, um novo projeto batizado de MP6. Foram investigados os maiores inconvenientes que uma motocicleta causava ao seus proprietários: pneus furados e correntes frágeis.

Um estepe resolveria em definitivo o problema de ficar no caminho por causa de um furo em pneu. O garfo dianteiro prendendo a roda em apenas um lado facilitaria a troca do pneu, o mesmo acontecendo com a roda traseira, presa diretamente ao conjunto câmbio-motor, um dois-tempos que seria uma peça única, compacta e dispensaria corrente de transmissão. Esta disposição do motor, porém, fazia com que cerca de 70% do peso da motoneta estivesse concentrado do lado direito, gerando instabilidade. Para corrigir a tendência de puxar para a direita (principalmente ao tirar as mãos do guidão), a roda dianteira ficava 8 mm à esquerda do eixo de direção, de modo a gerar torque oposto ao ocasionado pelo centro de gravidade deslocado. Mesmo assim a Vespa padecia de um desequilíbrio inerente. Atingindo um obstáculo na pista, como uma ondulação no asfalto, a tendência era decolar "torta", de difícil controle.

O motor montado junto à roda traseira dispensava a corrente de transmissão


Ainda num toque de engenhosidade, os aros das rodas (de apenas 8 pol de diâmetro) eram constituídos de dois discos aparafusados entre si, o que facilitaria a desmontagem do pneu para conserto.

Finalmente em abril de 1946 é apresentado ao público o modelo V98 com motor Piaggio de 2 tempos, monocilíndrico horizontal com 50mm de diâmetro e 50mm de curso que proporcionava 3,2HP a 4.500 rpm com caixa de 3 marchas. Foram produzidas neste mesmo ao 2.484 unidades da V98, um sucesso de vendas. Este modelo ficou em produção por 2 anos alcançando a cifra de 10.535 unidades fabricadas. Curiosamente, embora tenha sido tentado pintar as primeiras unidades de cores diversas, em pouco tempo de adoto o cinza metalizado como cor única. Uma característica deste primeiro modelo é que ele não tinha cavalete central.

Em 1948 saiu a primeira Vespa de 125 cc com 4,7 hp. Não foi somente a capacidade de força do motor que ficou diferente, mas também a introdução das suspensões traseira e dianteira modificadas em seu projeto, o assoalho em lugar das duas placas de apoio para os pés. Também eram adotados suspensão na roda traseira, mudança definitiva da suspensão dianteira para o lado direito e pequenas alterações na "carroceria" tais como a introdução de um bagageiro que poderia acomodar um banco para o garupa. A velocidade máxima chegava a 70 km/h. No ano da sua introdução foram produzidas 19.882 unidades deste modelo que protagonizou o começo de uma época de auge e expansão dos scooters.


1948 125cc

Em 1954 já temos registro no Brasil de modelos 125cc importados da Itália, em bom estado de funcionamento até os dias de hoje.

O calendário de 1951 e a propaganda de 1958 representam bem o espírito de liberdade e prazer na promoção de vendas da Vespa.


A Vespa é reconhecida como um dos marcos do design de veículos de 2 rodas e assim tem um exemplar no Museu de Arte Moderna de New York, como exemplo da criatividade industrial italiana do século XX. Até os dias de hoje a Piaggio produziu mais de 15 milhões de Vespas.

A Vespa No Brasil

A Vespa foi montada no Brasil a partir de 1958 pela Panauto, com escritório na Av.Presidente Vargas, 463 - 21o andar e fábrica na Av. Antares, 2346 em Santa Cruz, ambos endereços no Rio de Janeiro. Era uma licenciada da Piaggio Italiana e a inauguração da fábrica coincidiu com a moda mundial da motoneta ( scooter ), na década de 50.

O primeiro modelo lançado pela Panauto foi o M3 de 3 marchas, equivalente ao VB1T na Itália, na cor cinza opalescente e azul metálico (esmalte metalizado azul 15088 e 15089).

vespa joao_small.jpg (1655 bytes)

Em 1960 saiu o modelo M4 com 4 marchas, com a mesma mecânica da M3 mas utilizando peças de câmbio do modelo VBB1T italiano. Visualmente era igual a M3, com pequenas diferenças tais como a lanterna traseira mudada para o modelo "nariz do papa" e a "crista de galo" do para lama frontal mais baixa..





O Vespacar, lançado em 1960, que foi muito utilizado para pequenas entregas e comércio de cachorro quente. Na Av. Atlântica no Rio de Janeiro eram proibidos os quiosques e uma forma de colocar a venda os produtos era todos os dias estacionar os Vespacar vendendo cachorro quente e refrigerantes como feito pela rede "Geneal" . O antigo DCT- Departamento de Correios e Telégrafos (hoje ECT), utilizava o Vespacar para entregas


Esta propaganda na revista Quatro Rodas de junho de 1963 mostra o modelo furgão.


Na época, a paixão pela Vespa era tanta que o Zé Gotinha da Esso passeava em uma na propaganda do oleo 2T.

A Panauto fechou em1964.

Em 1971 se registra no Brasil a presença do ciclomotor Piaggio Boxer 2


A Vespa foi montada no Brasil pela segunda vez entre 1974 a 1983 em 4 modelos: 50cc, 125cc Primavera, 150 VBC1T Super e Rally 200, pela Barra Forte Ind. e Comércio Ltda. situada em Manaus.

_________________ 150 VBC1T Super __________________

Pela terceira vez a Vespa voltou a ser montada no Brasil pela Motovespa, uma associação entre a italiana Piaggio (45%) e as brasileiras Caloi (45%) e B. Forte (10%). De 1985 a 1986 eram somente montadas no Brasil, de 1986 a 1990 eram realmente fabricadas em Manaus com índice de até 90% de nacionalização. Foram produzindo o modelo PX de 200 cc nas versões Standard E sem borracha de proteção nas laterais nem no paralama dianteiro e sem flash de luz alta; a GT com flash de luz alta, bateria e partida elétrica opcional. A top de linha era a ES EleStart com todos os opcionais. Logo no seu primeiro ano, embalada pelo Plano Cruzado, a Vespa conseguiu suplantar a Honda CG 125 do posto de veículo de duas rodas mais vendido do mercado. A empresa conseguiu produzir a média de 2,5 mil unidades por mês, 50% acima da meta inicial.



A Motovespa chegou a ter 300 funcionários na fábrica de Manaus e rede de 140 revendas espalhadas pelo País. A partir de 1987, porém, as vendas começaram a cair e a empresa passou a ter problemas de administração. Nessa época, a Caloi abandonou a sociedade e o controle acionário passou por várias alterações. A produção nunca mais se normalizou e, em 1990, as atividades se encerraram definitivamente no País.

A Vespa voltou ao Brasil no ano 1994 até 2000 , com o modelo 150 Originale, importado da India pela Brandy, empresa de Ribeirão Preto que representava a Piaggio no País.

Desde 2004 o representante oficial da PIAGGIO no Brasil é a PVGA , que importa e vende os modelos Vespa e Piaggio

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